14 de novembro de 2010

Insight

Então apoiei um braço
na vitrine da antiga loja do centro,
ao telefone um jornalista perguntava
sobre a cena literária da cidade
(não que alguém se importasse).

E alguém que tinha
um lado do rosto
perfeito
mas o outro
completamente ao contrário,
como se invertido
e recolocado,
me olhou tão diretamente
por quatro
ou cinco segundos
que nem sei como respondi
à pergunta sobre a importância
das leis municipais
de incentivo à cultura.

a assimetria na verdade escondida quando ele me olhou
a fração de tempo que levei para entender o que era real
a decisão imediata de escrever sobre aquele momento:
tudo isso é poesia


......................................................................................... (palavras não).

3 comentários:

Artemion disse...

Excelente poema, gostei muito (não que essas coisas tenham relação, mas enfim)...

Márcia disse...

Muito bom!! É de novo vc afirmando que é a vida a arte. Adorei!

raissa ralola disse...

tb acho mto bom.