13 de agosto de 2011

Você disse que ia escrever um poema

Você disse que ia escrever um poema
com a metafísica das paixões
e a confluência dos corpos,
como o orgasmo suspenso,
um último beijo,
no timbre exato da minha voz.

Você disse que ia escrever um poema
sem a angústia de metáforas mal resolvidas,
sem alegorias perdidas no entendimento,
contando de vez o nome do jogo.

Você disse que ia escrever um poema
na turbulência calculada das grandes decisões
pra virar do avesso minha vida
(que anda mais inerte que a Avenida
Independência às seis da tarde).

Você disse que ia escrever um poema.
Andei meio mundo
atrás dos seus versos.

Você disse que ia escrever um poema.
Você não escreveu o poema.
Mas ele está aqui.

4 comentários:

Tiago Rattes de Andrade disse...

Aos poucos vou identificando uma coisa "Laura Assis" nos teus poemas. Estilo próprio. Coisa bacana. Vou lendo e relendo. até conseguir dizer outra coisa.

Fabrícia Valle disse...

esse quase arromba o corpo como 3x4 e "antes rasgar os mapas" porque você é fodaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

Juliana Stanzani disse...

É justíssimo nas lucanas onde moram as canções.

Laura Assis disse...

Agradeço a leitura, queridos :)